Para muitas pessoas, a cinta é a parte mais incómoda do pós-operatório: aperta, dá calor e parece não sair do corpo. Mas perceber para que serve — e como usá-la bem — torna estas semanas bastante mais fáceis.
Para que serve a cinta
- Ajuda a controlar o edema (inchaço)
- Dá suporte aos tecidos enquanto se adaptam ao novo contorno
- Ajuda a pele a “assentar” sobre os planos de baixo
- Contribui para reduzir espaços onde se pode acumular líquido
- Dá segurança nos movimentos do dia a dia
Durante quanto tempo se usa
O tempo de uso é definido pelo cirurgião e varia consoante o tipo de cirurgia e a evolução de cada pessoa. Em muitos casos há duas fases: uma primeira cinta, mais firme e com fechos que facilitam vestir e despir, e depois uma cinta de manutenção.
Não retire, não reduza o tempo de uso nem troque de modelo por conta própria. Se tiver dúvidas, pergunte à sua equipa.
Como vestir sem criar problemas
- Alise sempre as pregas. Dobras, costuras enroladas e elásticos torcidos concentram a pressão num ponto, podem marcar a pele, aumentar o inchaço localizado e favorecer irregularidades.
- Atenção a fechos e colchetes. Verifique se não ficam a pressionar sempre a mesma zona. Pergunte à equipa se pode usar uma peça fina e sem costuras entre a pele e a cinta.
- Peça ajuda nos primeiros dias. Vista-se sentada ou deitada e evite dobrar o tronco de forma brusca, sobretudo depois de uma abdominoplastia.
- Espumas ou placas de compressão só devem ser usadas quando indicadas, e bem posicionadas.
Tamanho certo: nem larga nem a sufocar
A cinta deve apertar de forma firme e uniforme, sem causar dor, dormência ou dificuldade em respirar. Mais apertado não é melhor.
À medida que o inchaço diminui, é comum a cinta ficar larga e deixar de comprimir como deve. Quando isso acontecer, fale com a sua equipa sobre a necessidade de ajustar ou trocar de tamanho.
Cuidados com a pele e a higiene
- Ter duas cintas facilita a lavagem e a troca
- Lave segundo as instruções do fabricante e deixe secar ao ar
- Vista a cinta com a pele limpa e bem seca
- Observe diariamente a pele: zonas vermelhas, marcas profundas ou pequenas feridas
- Não aplique cremes nas incisões sem indicação da equipa
Sinais de alerta
Contacte a sua equipa se notar:
- Dormência ou formigueiro que aumenta
- Pele arroxeada, muito pálida ou fria
- Dor intensa num ponto específico da cinta
- Bolhas, feridas ou marcas que não desaparecem
- Inchaço acima ou abaixo da cinta, por exemplo nas pernas ou nos braços
Falta de ar ou dor no peito são uma emergência: ligue 112.
Onde entra a fisioterapia
Quando há acompanhamento de fisioterapia, a cinta também é observada: se está bem ajustada, se faz pregas, se deixa marcas ou zonas de pressão. Estas observações são partilhadas com a equipa cirúrgica quando é necessário ajustar alguma coisa. A cinta complementa o tratamento manual e as bandagens elásticas — e vice-versa.
A cinta incomoda, marca ou faz pregas? Não espere pela consulta seguinte: fale com a sua equipa para ajustar ou trocar de tamanho.