Artigos · Pós-operatório

Fibrose depois da cirurgia plástica: o que é normal e quando procurar ajuda

Zonas duras depois da lipoaspiração ou abdominoplastia? Perceba o que é a fibrose, porque aparece e como a fisioterapia pode ajudar.

“Tenho uma zona dura na barriga, é normal?” É uma das perguntas mais frequentes nas semanas após uma lipoaspiração ou abdominoplastia. A resposta curta: muitas vezes, sim. Mas vale a pena perceber porquê — e quando é altura de pedir ajuda.

Primeiro: fibrose faz parte da cicatrização

Quando o corpo repara uma zona operada, produz colagénio — uma espécie de “cimento” que une os tecidos. Numa fase inicial, esse colagénio forma-se de maneira desorganizada, o que pode dar origem a zonas mais firmes, nódulos ou pequenas irregularidades. A isto chamamos fibrose.

Ou seja, ter alguma fibrose não significa que algo correu mal. Significa que o corpo está a cicatrizar.

Então quando é um problema?

A fibrose torna-se uma preocupação quando:

  • As zonas endurecidas não melhoram com o passar das semanas, ou aumentam
  • Surgem irregularidades visíveis ou “degraus” na pele
  • A pele fica presa aos planos de baixo (aderências) e não desliza
  • Há dor, repuxamento ou limitação de movimento
  • A sensibilidade da zona continua muito alterada

Nestes casos, a fisioterapia pode ajudar a remodelar esse tecido e melhorar o conforto e o aspeto da zona tratada.

O que ajuda a prevenir

  • Seguir as indicações do cirurgião, incluindo o uso correto da cinta de compressão
  • Iniciar o acompanhamento de fisioterapia na altura indicada pela equipa cirúrgica
  • Evitar massagens agressivas feitas por conta própria ou sem formação específica — podem aumentar a inflamação
  • Hidratação, alimentação equilibrada e repouso adequados
  • Mexer-se de forma progressiva, conforme orientação

Como a fisioterapia trata a fibrose

O objetivo não é “partir” a fibrose à força. Com técnicas manuais precisas, baseadas na forma como os tecidos respondem a estímulos mecânicos, é possível ajudar o colagénio a reorganizar-se, devolver mobilidade à pele e aos tecidos e reduzir desconforto. Recursos como bandagens elásticas podem complementar o tratamento.

Cada caso é avaliado individualmente, porque o tipo de cirurgia, a fase da recuperação e a pele de cada pessoa influenciam a resposta.

E se a cirurgia já foi há meses?

Nunca é tarde para avaliar. Mesmo fora da fase inicial, fibroses e aderências podem beneficiar de tratamento. A evolução tende a ser mais lenta, mas há margem para melhorar.

Sente zonas duras ou irregulares após a sua cirurgia? Marque uma avaliação. Atendimento em consultório e ao domicílio no Porto e em Vila Nova de Gaia.

Atenção: vermelhidão intensa, calor local, febre, dor que aumenta de forma súbita, secreção na cicatriz ou inchaço repentino de um só lado devem ser comunicados de imediato ao seu cirurgião.

Fernanda Curto · Fisioterapeuta, cédula profissional n.º 15133 (Ordem dos Fisioterapeutas). Este artigo é informativo e não substitui as indicações do seu cirurgião. Sobre a autora

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