Cada lipoaspiração é diferente. As zonas tratadas, a quantidade de gordura retirada, a técnica utilizada e o próprio corpo influenciam a forma como a recuperação decorre. Por isso, os prazos deste artigo são apenas indicativos — quem define o que se aplica ao seu caso é o seu cirurgião.
Ainda assim, saber o que costuma acontecer em cada fase ajuda a viver a recuperação com mais tranquilidade e a perceber o que é esperado e o que merece atenção.
Primeiros dias: repouso relativo, não imobilidade
- Inchaço e nódoas negras são esperados e podem estender-se para lá das zonas operadas.
- É normal sentir o corpo dorido, um pouco como depois de um treino muito intenso.
- Pode haver alguma saída de líquido pelos pequenos orifícios das incisões. Pergunte à sua equipa o que é esperado no seu caso.
- A cinta de compressão é usada conforme a indicação do cirurgião, geralmente de forma quase contínua nesta fase.
- Caminhar pequenas distâncias em casa, conforme orientação, ajuda a circulação. Repouso não significa ficar deitada o dia todo.
Semanas 1 e 2: o inchaço ainda manda
Nos primeiros dias, o edema pode até parecer aumentar antes de começar a diminuir. As nódoas negras vão mudando de cor e desaparecendo aos poucos.
É muitas vezes nesta fase que se inicia a fisioterapia, no momento indicado pelo cirurgião. O tratamento é suave e tem como objetivos ajudar a controlar o edema, melhorar o conforto e orientar sobre a cinta, as posições e o movimento no dia a dia.
O regresso a tarefas leves, ou a um trabalho sem esforço físico, pode acontecer neste período — sempre de acordo com a indicação médica.
Semanas 3 a 6: zonas duras e sensibilidade diferente
É comum começarem a notar-se zonas mais firmes ou pequenos nódulos. Na maior parte dos casos, trata-se de fibrose, que faz parte da cicatrização (explicamos tudo no artigo Fibrose depois da cirurgia plástica).
Também é frequente sentir dormência, formigueiro ou hipersensibilidade na pele. Pequenos nervos da zona tratada estão a recuperar, e isso leva tempo.
O contorno começa a revelar-se, mas ainda com inchaço — muitas vezes mais notório ao fim do dia. O regresso ao exercício faz-se de forma progressiva, quando o cirurgião autorizar.
Do 2.º ao 3.º mês: a forma a assentar
Grande parte do inchaço já regrediu, mas continua a ser normal notar oscilações: em dias de calor, depois de muitas horas de pé ou em certas fases do ciclo menstrual.
As fibroses tendem a amolecer. As que se mantêm duras, causam irregularidades ou desconforto merecem ser avaliadas. O uso da cinta é ajustado ou terminado conforme a indicação do cirurgião.
Dos 6 aos 12 meses: o resultado final
Os tecidos continuam a remodelar-se durante vários meses e as cicatrizes vão amadurecendo. É por isso que o resultado final de uma lipoaspiração não se avalia nas primeiras semanas — pede paciência.
Como a fisioterapia acompanha cada fase
- Fase inicial: controlo do edema, conforto, orientação sobre a cinta e o movimento
- Fase intermédia: fibroses, aderências, mobilidade da pele e dos tecidos
- Fase tardia: irregularidades persistentes, alterações de sensibilidade, cicatrizes
O plano é individual, revisto ao longo do tempo e feito sempre em articulação com o cirurgião.
Sinais de alerta
Contacte de imediato o seu cirurgião se tiver:
- Febre, vermelhidão ou calor que aumentam, ou secreção com mau cheiro nas incisões
- Dor que piora em vez de melhorar
- Inchaço súbito de um só lado, ou uma zona mole que parece ter líquido acumulado
- Dor, calor ou inchaço na barriga da perna
Falta de ar súbita ou dor no peito são uma emergência: ligue 112.
Cada recuperação tem o seu ritmo. Use este artigo como mapa geral e confirme com o seu cirurgião os prazos que se aplicam a si.